Van Gogh



Escrito por la bavarde às 23h27
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ali onde se percebeu,
visto assim de fora,
não era tão bom assim...

aí se viu estática,
vendo tudo aquilo de fora,
o velho, o novo,
o que é, e o que pode vir a ser...

e percebe que não só olha,
mas está mesmo de fora,
já não é mais no velho,
mas ainda nem vislumbrou a realidade do novo.
só vê trabalho árduo pela frente.

não dá pra se ajeitar aqui,
apesar de cômodo,
se ficasse, estaria mentindo...
e também, não há nada que a prenda,
fora a própria vaidade...
e algo a provar a si mesma...

mas, será que precisa se atirar à incerteza?
e o pior de tudo...
ao possível fracasso?

pânico.
nessas horas sempre se lembra de rezar...

e sabe que sim, que precisa se atirar...
o possível fracasso... agora...
parece doce comparado à realidade amarga...



Escrito por la bavarde às 23h16
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Talkin' Blues

I feel a little more blue than then...

(Caetano)



Escrito por la bavarde às 14h36
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klein

as blue as blue can fucking be... blue and true...



Escrito por la bavarde às 14h34
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mundo afora...

eu quero ir pro mundo,
ver o mundo,
pra enriquecer o mundo dentro de mim...
e quem sabe um dia enriquecer o mundo,
com esse mundo que brota de dentro de mim.

mas se os dois se chamam mundo,
porque o de dentro já não é o de fora
o de fora o de dentro,
ou mesmo uma coisa só?

por quê tem de haver uma separação?

será que é porque não preciso viver um mundo fora
para viver um mundo dentro?

então será que o desejo de vivê-lo não é mais que
um impulso para meramente consumí-lo?

e se eu quiser vivê-lo mesmo assim
pra depois descobrir isso sozinha?

e se querer é poder,
por quê eu quero e não posso?

não sei... mas lá vai dostoiévski,
que pelo jeito entendia há 200 anos atrás, 
o mundo de hoje, melhor do que eu...

mas qual dos mundos?



Escrito por la bavarde às 21h06
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Dostoiévski

"Pois bem, eu não compreendo que um homem inteligente,
não importa quando, nem quais as circunstâncias,
não encontre o que fazer. Dizem que este é um ponto discutível,
mas no fundo do meu coração eu não creio nisso.
A inteligência existe precisamente para alcançar aquilo que se quer.
Não se podendo percorrer uma versta, andem-se apenas cem passos;
sempre é melhor, chega-se mais perto do objetivo,
se é que se caminha para um objetivo.
E, se você quer a todo custo alcançar o objetivo com um só passo,
isto a meu ver, não é de modo algum inteligência.
Isto até se chama desamor ao trabalho.
Não gostamos do esforço, não estamos acostumados a avançar passo a passo,
queremos voar até o objetivo numa passada ou figurar entre os Régulos.
Pois bem, isto é que é comportamento de fidalgote."

(p.101 - F. Dostoiévski - Notas de Inverno sobre Impressões de Verão)



Escrito por la bavarde às 21h03
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domingo dominó

odeio o efeito dominó...

cai a primeira peça e derruba todas as outras...
uma a uma vão caindo, não importa o trabalho
que cada uma
custou para ser colocada em pé.

cai uma, caem todas.
sem hierarquia, nem valor.

todas ficam caídas iguaizinhas umas às outras.
tão caídas e emaranhadas,
que dá preguiça
só de pensar em começar a recolhê-las...

é... odeio o efeito dominó...



Escrito por la bavarde às 15h34
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Fernando Pessoa

Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!

Baste a quem baste o que lhe basta
O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar.

Foi com desgraça e com vileza
Que Deus ao Christo definiu:
Assim o oppoz à Natureza
E Filho o ungiu.

------------------------------------------------------------

TÃO ABSTRATA é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que só pr ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.



Escrito por la bavarde às 15h16
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