indignação

Fnac. resolvi folhear a Architectural Record.
e eis que me deparo com o pirocão do jean nouvel em barcelona. em foto aérea chega a dar náuseas. o elemento fálico compete em gênero, número e grau com a (sagrada) sagrada familia de Gaudi.
filho-da-mãe...
aí lembrei de uma discussão que estava tendo esses dias...
diziam que em outros países, o trabalho do arquiteto é visto com só mais um trabalho. é um "job". um lugar pra ir e tirar o ganha pão.... e eu pensei? mas será possível? - no way. arquitetura é sonho. é construir o lugar onde as pessoas vivem, convivem, são e podem vir a ser... arquitetura é acreditar que o espaço pode traduzir tudo aquilo que nós queremos ser. façamos os espaços sociais, os espaços comuns. ou então, ao menos os espaços com qualidade...
aqueles que de tão belos nos humanizam. nos fazem pensar duas vezes antes de jogar papel na rua, ou ir a pé quando se pode ir de carro, para economizar a nossa já tão poluída atmosfera.
arquitetura é sair do metrô e comer um yakissoba de 3 reais sob o vão livre do MASP. arquitetura é amar a cidade e acreditar que ela pode existir e para todos. é não desistir nunca, nunquinha, de acreditar que o mundo pode ser melhor do que esse assim violentado.
daí, saio do filme paradise now e a caminho de casa, numa noite deliciosa pela paulista, cheia de idéias transbordando a cabeça, resolvo pegar o shortcut pela Fnac e me deparo com essa piroca estampada na revista bam bam bam...
me deu vontade de sair correndo e gritando...
aonde estamos com a cabeça?
o mundo se acabando, gente de mais, gente se matando e se oprimindo, e esse puto gasta 10 mil euros o metro quadrado para construir uma piroca, opressora, desumana, excludente e feia! sim, feia. e sem a menor auto-crítica, profana a monumetalidade de um marco da arquitetura. e tem quem pague por isso!!! é... é o fim do mundo...
finalmente acreditei que aqui, no Brasil, a gente trabalha feito camelo, ganha salário de fome... mas volta pra casa feliz, acreditando no que está fazendo... feliz que anda de busão, que se humaniza por estar vivendo mais próximo da grande maioria. sim, porque se democracia é a vontade da maioria, temos é que conhecer a maioria antes de conhecer suas vontades, e nesse país, e ouso dizer no mundo, a maioria é constituída pelos oprimidos, favelados, doentes mas sempre esperançosos...
e esses sim são os arquitetos.
jean nouvel? o raio que o parta. safado, vendido... e ainda vem aqui construir museu guggenheim no rio de janeiro. levar mais do nosso mal distribuído dinheiro público...
por quê ele não vai participar de concurso para urbanizar áreas de favelas? por quê esse homem é considerado um bom arquiteto?
aliás como pode qualquer pessoa que não tem a menor consciência de coletividade ser qualquer coisa de importante nesse mundo?
domingo a noite. começo a semana indignada.
Escrito por la bavarde às 23h35
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