Os três burricos
Por estradas de montanha vou: os três burricos que sou. Será que alguém me acompanha?
Também não sei se é uma ida ao inverso: se regresso Muito é o nada nesta vida.
E, dos três, que eram eu mesmo ora pois, morreram dois; fiquei só, andando a esmo.
Mortos, mas, vindo comigo a pesar. E carregar a ambos é o meu castigo?
Pois a estrada por onde eu ia findou. Agora, onde estou? Já cheguei, e não sabia?
Três vezes terei chegado eu - o só, que não morreu e um morto eu de cada lado.
Sendo bem isso, ou então será: morto o que vivo está. E os vivos, que longe vão?
(João Guimarães Rosa)
Escrito por la bavarde às 18h54
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